Curso TPS 2009 SIC

Curso de Técnicas de Protecção e Segurança 2009

01/07/2008

As GLOCK do MAI 2

Assim, não consigo (ou infelizmente, até consigo...) compreender a ideia peregrina de alguém querer montar uma patilha de segurança externa actuada pelo operador numa arma que seja perfeitamente segura.

Sei que em meados da década de 80', as forças policiais da Tasmânia, do Paquistão, alguns grupos de segurança israelitas e algumas corporações policiais sul-americanas quiseram as suas Glock equipadas com patilhas de segurança.

Em resposta a esta necessidade, Joe Cominolli introduziu no mercado um conjunto de gatilho com patilha de segurança exterior para ser vendido "after market",acompanhado por uma ferramenta para recortar a carcaça e assim permitir a montagem do conjunto.





Essas armas são vulgarmente designadas de 17S, muito embora não tenham o "S" gravado na arma e desconheço se alteração foi efectuada na própria Glock ou se á posteriori.

Da mesma forma, o NYPD também achou que, muito embora a arma fosse excelente, o sistema de gatilho não seria muito seguro nas mãos do comum dos polícias de giro, tendo a própria Glock introduzido o "New York Trigger" que aumenta o peso do gatilho para o de um revólver.





As Glock do MAI 3

Com isto tudo, chegamos a Portugal em pleno século XXI, quando o MAI resolve abrir um concurso para o fornecimento de uma nova arma para equipar as suas polícias.

Foi apresentado um caderno de quesitos, as marcas concorreram e apresentaram as suas armas para teste.

Para não variar, a Glock 19 varreu literalmente a concorrência, quer pela sua qualidade, quer pelo seu preço imbatível.

Mas... de repente, já a meio do concurso, alguma alma iluminada lembra-se de introduzir um novo quesito: a arma a ser fornecida, tinha obrigatoriamente de possuir uma patilha de segurança externa!



Não que eu tenha alguma coisa contra a evolução... antes pelo contrário!

Mas sou muito parcial contra esta segurança em termos de ergonomia: em situações de stress (deixemos-nos de tretas, de medo mesmo!), pela análise das fotografias que se vão apanhando por aí, em minha opinião os operadores estão sujeitos a ejectar o carregador quando quiserem colocar a patilha de segurança na posição de fogo.

Por outro lado, pode acontecer o operador ficar a lutar contra o botão da patilha de segurança, quando quiserem fazer uma troca de carregador...

Isto tudo, exclusivamente porque é muito mais fácil fazer o pedido estúpido de uma patilha de segurança que não faz falta nenhuma, do que ensinar os operadores a utilizar as armas em segurança.



Claro que estes não foram os únicos iluminados… basta ver a quantidade de “coisas” para a Glock que aí andam, como sejam os “Saf-T-Block”, os “Side LockSafety Trigger”, e tantas outras cangalhas que aparecem no sentido de se ganhar umas lecas, a troco de um sentimento de segurança física que na realidade não existe.

Quanto ao ser uma arma revolucionária… bem… desculpem-me os puristas, mas não o era e continua a não o ser!

A carcaça integralmente em plástico remonta á velhinha Heckler & Koch VP70 concebida em 1968 e comercializada em 1970, sendo também uma das primeiras pistolas modernas sem qualquer patilha de segurança externa.

O sistema de travamento Browning com rampa de travamento já vem da Hi-Power em finais da década de 20’, e o travamento por bloco na janela de ejecção da Peters também é da década de 50’.

Já o sistema do gatilho remonta ás velhinhas pistolas Roth Steyr do exército austro-húngaro, de 1907.

Assim, afinal, o que é a Glock?

É simplesmente a reunião de uma série de boas ideias devidamente redesenhadas e incorporadas numa única arma que será, digam lá o que disserem, uma das melhores armas de fogo de sempre.

31/05/2008

De volta

De facto estou de volta, a ausência deveu-se ao muito trabalho que tive a preparar um evento de dimensão significativa, o qual divulgarei num post próprio., e claro á minha, sempre exigente, actividade profissional.

Julgo que tempo o que me mantive afastado deste nosso espaço de reflexão, foi bem compensado com o curso que estive a preparar, e que divulgarei a seguir.

10/05/2008

Novidades para breve


Este post serve apenas para informar, que a ausência de posts verificada recentemente, é apenas reflexo da preparação de uma acção de formação que será levada a cabo muito em breve, e que me está a consumir todo o tempo disponivel. Conto colocar online novidades a muito breve trecho!

Agradeço as visitas, e voltarei á carga assim que tiver novidades, ou um pouco de tempo para reflectir convosco sobre alguma matéria.

20/04/2008

Lanterna táctica - ferramenta indispensável

Hoje, o operador moderno, tem ao seu dispor um panóplia de equipamento e armamento que lhe confere um grau de versatilidade, e capacidade destrutiva, verdadeiramente impressionante, principalmente se olharmos para o que tinha ao seu dispor, há apenas uma década.

De todo esse equipamento, destaco neste post algo que considero fundamental: a lanterna táctica.

Tantas vezes negligenciada pelos operadores, os menos profissionais, claro está, este equipamento é imprescindível ao profissional moderno.

Hoje cerca de 70% dos confrontos que envolvem membros de forças de segurança, ocorrem em ambientes com baixa ou nenhuma visibilidade, este facto, só por si, diz bem da utilidade da lanterna táctica. Porém, a simples posse do objecto, não confere um certificado de salvaguarda do operador, ela de pouco serve sem os conhecimentos de técnicas de Low Light. Diria até, que mal utilizada pode mesmo virar-se contra o operador.

A formação em Low Light é hoje fundamental, ela permite a apreensão de técnicas de uso da lanterna táctica, de forma a que o operador ganhe a vantagem que pode resolver o confronto a seu favor.

O uso da luz pode dissimular a posição do operador, pode incapacitar momentaneamente a ameaça, e pode até servir de patamar, numa situação em que estamos perante uma escalada do uso da força, de forma necessária. Serve ainda para outras questões práticas, como a revista de espaços, etc...

Diria, assim, que o domínio destas técnicas, faz parte da carteira de conhecimentos básicos do operador moderno, e que quem não os domina, para além de servir de pouco aos seus colegas em caso de intervenção em locais com baixa, ou nenhuma, luminosidade, pode ainda representar um perigo a toda a equipa, dado que, como já vimos, o uso incorrecto da lanterna táctica pode fazer perigar a integridade física dos operadores, revelando a sua posição, em detrimento de a dissimular, e passando a vantagem táctica para a ameaça, em vez de a usar para o sucesso da intervenção.

Sobre esta matéria destaco, claro, o Surefire Institute, que tem feito um grande trabalho de estudo acerca da temática, e que tem permitido o desenvolvimento de equipamentos de elevadíssima qualidade.

Em Portugal, já existe quem trabalhe, em termos de formação, com Low Light, o COP por exemplo, e outros formadores que surgem no mercado recentemente, mas que lhe acrescentam, óbvia qualidade.

Por fim, quero dizer que a formação de Low Light estará presente no calendário de 2008, quer integrada em algumas formações, quer isoladamente. Avisarei as datas quando se afigurar pertinente.

19/04/2008

Briefing

E de novo Cecilio Andrade brinda-nos com mais um grande artigo, desta feita acerca de um momento de suma importância, no que toca á intervenção.

Briefing pre-acción
Feb 3rd, 2008 por Cecilio Andrade

“Puede suceder que lo previsto ocurra de manera imprevista.”

Bushido.


El briefing pre-acción es la reunión de coordinación, donde se realiza la exposición inicial a los miembros alertados. Puede realizarse en un lugar preparado para ello, con los medios audiovisuales pertinentes, ya sea en una comisaría, una base militar o un vehículo de mando preparado para ello. También puede realizarse sobre el mismo terreno, ya sea por premura de tiempo o por falta de instalaciones adecuadas.

Durante el mismo los miembros del equipo deben plantear cuantas dudas y inconvenientes consideren necesario clarificar. No es admisible el comenzar una operación sin una total comprensión de la misión y todos sus puntos.

Se mostrarán fotografías, mapas, croquis y planos de la zona de actuación, del edificio o vehículo objetivo, videos de inteligencia, en resumen de todo aquello que ayude a la operación. Si es posible y la situación lo requiere se suministrará un completo informe con toda la documentación, fotos y material que se considere de utilidad para el operativo. Las imágenes, fotos, videos o retratos robots serán especialmente importantes, tanto para el grupo de asalto como para los equipos de observadores/informadores o francotiradores si se dispone de ellos.Tras esta primera parte se procede a la designación de la equipación, la habitual y la específica en particular. Tras lo cual se procederá a su comprobación. ÷ Arma principal y secundaria (si procede). ÷ Municiones usuales y/o especiales.

÷ Armas específicas (escopetas, lanzagranadas, fusil de precisión, explosivos y accesorios de los mismos, etc.).

÷ Equipo de intervención (grilletes, linterna, bastón extensible, spray, navaja, etc.).

÷ Equipo de ráppel y/o escala.

÷ Uniformidad, ropa, calzado, cubrecabeza.

÷ Identificación visible policial o militar.

÷ Funda, chaleco táctico y balístico.

÷ Máscara de gas y filtros.

÷ Equipos específicos (ariete, bolsas de pruebas, cámara de video, etc.).

÷ Vehículos.

Durante el briefing debe quedar muy claro el fin primordial de nuestra acción, la misión. Prestando especial atención en no salirnos nunca fuera de las reglas de enfrentamiento marcadas, según el tipo de misión a realizar.

÷ Rescate de rehenes.

÷ Detención de alto riesgo.

÷ Centro producción o distribución de drogas.

÷ Apoyo a la protección VIP.

÷ Seguridad de actos relevantes.

÷ Escolta de convoys.

÷ Limpieza y control de zona.

Definiremos todos los factores que afectan a la fase de aproximación y acceso.

÷ Tipo de construcción o vehículo, y entorno.

÷ Accesos, tipo e impedimentos.

÷ Ventanas.

÷ Obstáculos e impedimentos durante la aproximación.

÷ Estructura interna del objetivo.

El grupo encargado de la recopilación de inteligencia suministra los últimos datos disponibles.

÷ Sobre los delincuentes:

÷ Historial delictivo.

÷ Armas y equipos.

÷ Nivel de riesgo.

÷ Objetivo de su acción.

÷ Estado anímico.

÷ Vehículos, etc.

÷ Ciudadanos involucrados:

÷ Número.

÷ Edad.

÷ Sexo.

÷ Profesión.

÷ Situación respecto a los secuestradores.

÷ Estado anímico, etc.

÷ Compromisos externos.

÷ Presiones políticas.

÷ Cámaras de TV.

÷ Apoyo social.

÷ Posibilidad de aislar la zona, etc.

÷ Acción sobre el objetivo:

÷ Aproximación, formación y ruta.

÷ Comunicación previa de la entrada si procede.

÷ Entrada, orden, forma y despliegue.

÷ Control y aseguración de zona.

÷ Control de sospechosos y/o pruebas.

÷ Etiquetado de pruebas y/o personas.

÷ Esterilización de zona.

÷ Salida de zona.

El grupo de francotirador/observador necesita conocer perfectamente el plan operativo del grupo de asalto:

÷ Hora de actuación.

÷ Rutas de aproximación.

÷ Rutas de evacuación y evasión.

÷ Rutas posibles de huida de los criminales.

÷ Punto de entrada principal y secundarios.

÷ Elemento de distracción.

÷ Método de acceso.

÷ Zonas vulnerables.

÷ Sistema de comunicación.

÷ Identificadores personales.

÷ Orden de repliegue.

÷ Orden de fin del operativo.

Otros puntos a tratar podrían resumirse con:

÷ Canal de transmisiones de trabajo principal, secundario, alternativo y de emergencia.

÷ Códigos de identificación y contraseñas.

÷ Otras unidades involucradas y formas de enlace.

÷ Equipos especiales no habituales.

÷ Coordinación final.

÷ Preguntas y últimas dudas.

Una vez clarificados e informados sobre todos los puntos anteriores, el personal pasa a lo que se viene denominando Control Pre-operativo. Este se define como: “todas las acciones previas a la intervención, encaminadas a verificar el correcto estado del equipo, los agentes actuantes, comunicaciones, armas y municiones, equipos especiales y, como punto fundamental, la comprobación de que las condiciones del entorno no han sufrido modificación desde la última comprobación”.

La instrucción táctica individual sobre ruidos, voces, reflejos y brillos debe ser muy esmerada. Las armas se montarán previamente para evitar el ruido característico.

Repasar finalmente las órdenes de intervención y el plan general de la operación, para posteriormente pasar a la posición de partida.

28/03/2008

Força contra força , para todos os gostos 2

No seguimento do que dizia no post anterior, em que falei um pouco da possibilidade de quase tudo ser possível, e licito no força contra força, no que toca aos exercícios passiveis de ser realizados.

Importa agora falar do que teve anteceder a sessão de demonstração/execução, a sessão teórica de força contra força.

Esta sessão, da forma como eu a entendo, e as pessoas que trabalham comigo nesta matéria, também, deve abordar algumas questões consideradas chave. Por exemplo toda a panóplia de efeitos Psico-fisiológicos que sucedem ao operador quando tem medo, e entra em modo de auto-preservação, que como bem sabemos, não é controlável.

É, assim, obrigatório abordar as questões que se prendem com esta matéria, por forma a que os operadores percebam o que lhes sucede, quando estão "numa enrascada".

Importa ainda abordar questões do funcionamento do corpo humano, questões que passam pela forma como o nosso corpo recolhe e trata informação.

E outras, que não importa agora aprofundar...

É essencial esta sessão ser ministrada com qualidade, e com a maior interacção possível com os formandos, para que eles digam também as suas experiências pessoais, dado que cada operador é diferente de outro, e percepciona e reage ás condicionantes de forma diversa dos restantes.

E, fundamentalmente, porque no dia seguinte vão passar á prática, e vão vivenciar tudo o que abordou na sessão, do dia anterior. E só então vão, efectivamente, ter noção que, ao contrario do que julgam, muitas vezes, pouco sabem fazer, e muito menos conseguem fazer quando estão metidos em um "salsifré danado".

Mas no final, esperamos que saibam onde podem ganhar as pequenas vantagens que, tantas vezes, decidem o resultado do contacto com o agressor...